Archive for July, 2009

Negra Sombra — Rosalía de Castro

Posted in dug up stuff on July 24, 2009 by chamome

Cando penso que te fuches,
negra sombra que me asombras,
ó pé dos meus cabezales
tornas facéndome mofa.

Cando maxino que es ida,
no mesmo sol te me amostras,
i eres a estrela que brila,
i eres o vento que zoa.

Si cantan, es ti que cantas,
si choran, es ti que choras,
i es o marmurio do río
i es a noite i es a aurora.

En todo estás e ti es todo,
pra min i en min mesma moras,
nin me abandonarás nunca,
sombra que sempre me asombras.

Poema I

Posted in scribbles on July 8, 2009 by chamome

Bati na janela duma loja e olhou-me mordaz.

Derrotado, fui-me embora.

Rota olhou-me com ironia.

Pois, parabéns.

Os amigos mandam-me um postal,

Nele escrevem que viram a minha cara na areia

Mas que logo uma criança gorda caiu nela…

Criança-apagadora.

Vou parecer-lhes pouco sincero

Vou ter dois nomes, mais

Vou desenhar figuras acima de esquinas

Até que me disserem que nunca pude desenhar.

Tenho derramado o fígado nos copos

Tenho consumido os pulmões nas baforadas.

Agora não bebo mas sigo sendo maior,

E tu pareces ter um carácter real.

Sinto a falta do gémeo que nunca tive

E rabisco frases na neve:

O que tenho, tenho e o que não tenho,

Pois, nunca saberei…

Corto o bolo, acho que

Cada porção, oferecida com sorriso,

Há-de ser um bocado de mim

Com cada pedaço, o orgulho come-se.

(Porque partir duma festa-

Que importa o que disse aquela rapariga! –

Para só voltar? E porque não deixar

O sombrio dos sonhos a porta?)