Poema I

Bati na janela duma loja e olhou-me mordaz.

Derrotado, fui-me embora.

Rota olhou-me com ironia.

Pois, parabéns.

Os amigos mandam-me um postal,

Nele escrevem que viram a minha cara na areia

Mas que logo uma criança gorda caiu nela…

Criança-apagadora.

Vou parecer-lhes pouco sincero

Vou ter dois nomes, mais

Vou desenhar figuras acima de esquinas

Até que me disserem que nunca pude desenhar.

Tenho derramado o fígado nos copos

Tenho consumido os pulmões nas baforadas.

Agora não bebo mas sigo sendo maior,

E tu pareces ter um carácter real.

Sinto a falta do gémeo que nunca tive

E rabisco frases na neve:

O que tenho, tenho e o que não tenho,

Pois, nunca saberei…

Corto o bolo, acho que

Cada porção, oferecida com sorriso,

Há-de ser um bocado de mim

Com cada pedaço, o orgulho come-se.

(Porque partir duma festa-

Que importa o que disse aquela rapariga! –

Para só voltar? E porque não deixar

O sombrio dos sonhos a porta?)

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